terça-feira, 14 de outubro de 2008

Ditadura da magreza na dança do ventre

Essa é uma das campanhas de um blog que não é mais atualizado. As outras são: campanha contra a vulgarização dos trajes de dança do ventre (as imagens são pa-vo-ro-sas), e contra a cópia da expressão e estilo de outras bailarinas (tem uma montagem hilária com a ovelhinha clonada Dolly).



A dança do ventre é “vendida” como algo que toda mulher pode praticar, independente de tipo físico, idade, altura, etc. Mas, nos últimos anos, o que temos notado é que há uma padronização do corpo das bailarinas profissionais: bastante magras, com corpos bem definidos e, em sua maioria, jovens.

Nas entrelinhas, pode-se entender o seguinte: a aceitação do corpo feminino só é válida porque a mulher “fora dos padrões” está pagando pelas aulas. Se ela quiser se profissionalizar (sendo paga pelo seu trabalho), deve entrar em um esquema de controle de seu corpo semelhante ao de qualquer bailarina de balé clássico, já que deve atender a um padrão (definido por quem? de onde saíram esses critérios?) de qualidade profissional. E, ao que parece, este “padrão” está mais interessado na aparência do que na qualidade técnica da bailarina.

Para piorar, é bastante desagradável ver que há muitas bailarinas de dança do ventre que concordam com essa distorção de imagem. Elas não percebem que, pelo dinheiro (ou pelo que consideram padrão, exigência de mercado, ou outro nome parecido), estão anulando seu físico, abrindo espaço para distúrbios psicológicos e alimentares, e negando seu biotipo.

Vi uma discussão no Orkut na qual várias pessoas se insurgiram contra esse raciocínio. Inclusive foi postado um link bastante interessante: trata-se de um catálogo de roupas de dança do ventre, alemão, com moças de corpos bastante diferentes, desde a magrinha até a gordinha. É um alívio ver essa diversidade, especialmente depois de visitar outro site, estadunidense, com modelos que parecem produzidas em série.

Essa questão pode parecer restrita ao mundo da dança, mas não é. Apenas reflete o fato de que nossa sociedade é tão obcecada por juventude e magreza que chega ao ponto de, mesmo em uma dança democrática, criar uma segmentação entre “aceitável” e “fora do padrão” que põe por terra toda a sua essência de valorização da feminilidade e respeito ao corpo de cada mulher.





Texto extraido do blog: http://cynthiasemiramis.org/

2 Comente aqui!:

Dana el Fareda disse...

Adorei o texto, infelizmente estamos em um tempo em que o corpo é visto como uma caracteristica pessoal e não fisica, para a dança não é diferente mas eu digo e repito as aulas de dança do ventre são para todas sempreeeeee

Samara L. disse...

O que eu acho curioso é que temos bailarinas acima do peso que são fantásticas e reconhecidas, como a Emine Elaine, a Shaide Halim e a Hayet. Elas são "engolidas" pelo público, mas qualquer inciante com um rolotê a mais deveria "pelo menos usar telinha", não importe quão bem ela dance. Curioso.
Muito curioso.